terça-feira, 4 de março de 2008

PERDIDOS

Bem, o que melhor para inaugurar a rubrica de séries do que uma das minhas séries favoritas? É LOST, pois concerteza!

PERDIDOS em português, título original "LOST", é uma série difícil de descrever. A ideia inicial até é bastante simples: um avião cheio de passageiros entra em problemas e despenha-se numa ilha desconhecida. Os cerca de 40 sobreviventes terão, então, de se organizar para conseguir sobreviver, aprendendo a lidar uns com os outros e, mais importante ainda com a própria ilha - que desde o início se revela algo mais do que "normal", pois acontecem coisas estranhas por todo o lado: um paraplégico volta a andar, existem vozes estranhas na selva, "alguma coisa" derruba árvores e mata pessoas, sobreviventes desaparecem...

LOST tem, no seu início, um leque de 11 (!) personagens principais, sendo que cada episódio se centra numa delas, no seu passado e seu presente, tentando levar-nos a compreender as suas razões de ser, a maneira como age, a sua mente. Tudo isto criando uma narrativa empolgante, cheia de mistérios, que nos impele sempre a ver "só mais um" episódio antes de ir dormir...



Mas LOST não é uma série simples: é complexa, exige muito pensar, muita paciência para ver os mistérios serem resolvidos, as ligações solidificadas, sendo este tanto o seu maior defeito (para alguns) como a sua maior virtude (para outros, como eu). E para quem decide apostar em ver esta série, acreditem que saem recompensados pela fidelidade para com ela.

É também uma série "real" quanto aos personagens - existe gente MUITO importante que morre, gente má que vive, actos cometidos sem pensar, coisas que correm mal, ligações cortadas sem aviso: enfim - tudo o que acontece na vida real, sem floreados.

A nível técnico está perto de perfeita - fotografia linda, locais paradisíacos, actores muito bons, argumento espectacular... E o som é fantástico, também.

E se lost já era uma série difícil de descrever na primeira temporada, ainda mais problemático é agora, que vai na quarta, e em que todas as temporadas tomaram um ritmo e um foco completamente diferente. Vou tentar fazer um resumo de cada temporada mais abaixo, basta clicar no "Ler tudo" - AVISO: CONTÉM SPOILERS!

Vou também tentar comentar os episódios numa base semanal, acompanhando o seu lançamento nos EUA. Mas agora, mais, só depois do clique.




Season 1

A temporada de introdução da série - começamos a conhecer os 11 personagens: Jack, um homem de ciência, o médico que quer salvar tudo e todos; Locke, o homem que deixa a cadeira de rodas de lado e começa uma jornada de fé na ilha; Kate, a fugitiva da justiça; Sawyer, o rufia (e a personagem com mais tiradas engraçadas de toda a série); Hurley, um gorducho simpático perseguido pelo azar após ter ganho a lotaria; Charlie, uma superestrela musical, mas que é um drogado; Sayid, um antigo "comando" iraquiano, ex-torturador atormentado por aquilo que fez; Shannon e Boone, irmãos disfuncionais; Sun e Jin, um casal de coreanos; Michael e Walt, pai e filho reunidos recentemente; e Claire, jovem grávida que pretendia dar o bebé para adopção.

É a temporada da espera pelo salvamento, de uma inserção forçada nos meios da ilha - existe gente raptada pelo que eles chamam "Outros", gente que aparentemente já se encontrava na ilha; a construção de uma jangada; existe a fuga do "monstro" da ilha; a descoberta de um avião antigo despenhado na ilha; a exploração e, por fim, a descoberta da "Escotilha" - uma escotilha enterrada, na qual vão tentar entrar para se proteger e para descobrir o que se encontra nela.



Season 2

O mote foi dado: a escotilha foi aberta, os "perdidos" entraram nela e deram de caras com Desmond - um homem a viver sozinho na escotilha e obrigado a pressionar um botão a cada 108 minutos, senão "o mundo explodirá, brother".

É a temporada de conflito ciência-fé, sobre pressionar ou não o botão, sobre aquilo que cada um pode ou deve fazer; ao mesmo tempo descobrimos que existem ainda mais sobreviventes, da secção da cauda, e que se vão juntar aos que nós já conhecemos; os outros tomam um papel ainda mais relevante, ao forçarem uma traição dentro dos "perdidos" para capturarem algumas pessoas. E, por fim, o que acontece ao não pressionar o botão.



Season 3

A temporada dos "Outros". Começamos a conhecer as suas razões, maneiras de ser, vemos a sua interacção com os "perdidos" a maneira como estes se organizam para resistir às suas investidas. Vemos o resultado de não pressionar o botão, uma implosão da escotilha e um impulso electromagnético, e uma personagem que começa a ter previsões do futuro. É a temporada de exploração da ilha, das estações existentes nela, do conflito "afinal quem são os Outros nesta ilha? Nós ou eles?".

E é por fim a temporada em que as comunicações ilha-exterior são estabelecidas - e a hipótese de resgate avizinha-se rapidamente, com a queda de uma pára-quedista que procurava a ilha num navio.

E toda a estrutura da série muda, com um flashforward que nos mostra Jack fora da ilha, alguns anos depois, após o resgate.





Season 4

Ainda está a decorrer nos EUA (na cadeia de TV abc, todas as quintas à noite), vai no 5º episódio, e começa a esclarecer mistérios da ilha, tendo diversos flashforwards de diferentes personagens e um dos melhores episódios de sempre de LOST (4x05 - The Constant), em que é discutida uma possível distorção espaço-tempo.

A 4ª temporada podia correr pessimamente com esta ideia dos flashforwards - ao invés, veio revitalizar uma fórmula que, apesar de não estar gasta, se começava a tornar repetitiva.




Uma ovação aos produtores de LOST, e um aviso para FICAREM ATENTOS às novidades neste blog! Até à próxima!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Alteração amigável

Ora bem, introduzi uma pequena alteração porque havia uma coisa que me vinha a fazer comichão a meio das costas, num sítio em que nem o clip do McGyver consegue resolver: queria poder comentar filmes e séries sem correr o risco de "spoilar" (revelar pormenores importantes) quem ainda não tivesse visto.

Portanto implementei uma opção de "Ler Todo o Post", assim posso falar de forma geral sobre o que quiser e de forma mais específica dentro do post, fica toda a gente contente.

Agora experimentem carregar ali em baixo, no "Ler Todo o Post".



Ora se estás a ler isto é porque aprendeste a clicar num link! Parabéns!

ÉS O REI!!
ÉS O REI!

sábado, 1 de março de 2008

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Alguém aqui...

... percebe HTML?


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Óscares


Estão a começar.

Vou actualizando aqui quem ganha e a minha opinião, no possível :p



Melhor Filme Animado: Ratatouille!

Super bem entregue, era uma injustiça se não ganhasse. Já agora, este filme é fantástico :p


Melhor Efeitos Especiais: A Bússola Dourada.

ROUBALHEIRA!!! Quem viu o Transformers sabe do que eu estou a falar... Todo o filme transpira efeitos especiais. Mas pronto. A Academia tem destas coisas.

Melhor Direcção Artística: Sweeney Todd.

Muito bem atribuído, todo o filme parece uma pintura constante, é uma forma de arte.



Melhor Actor Secundário: Javier Bardem.

Estou ansioso por ver No Country For Old Men. Só posso dizer isso :P


Melhor Actriz Secundária: Tilda Swinton.

Queria ver a Cate Blanchett pela interpretação de Bob Dylan, mas também está bem entregue. E tem sentido de humor, a senhora :D


Melhor Argumento Adaptado: Irmãos Coen.

No Country For Old Men, novamente :)


Melhor Documentário: Taxi to The Dark Side.

Surpreendeu-me, pensei que fosse ser o SiCKO de Michael Moore, que vi ontem e aconselho vivamente, é mesmo muito bom e denuncia todo o estado da saúde na américa, que é simplesmente ridículo. Muito muito bom.


Melhor Actriz: Marion Cotillard.

Sinceramente, não conheço. Mas pelo que dizem, era a favorita.


Melhor Cinematografia: There Will Be Blood

Pooooois :D Nada q n se esperasse.


Melhor Argumento Original: Juno.

Grande Filme, merecia ganhar pelo menos um óscar. Recomendado Vivamente.


Melhor Actor: Daniel Day-Lewis.

There Will Be Blood, novamente. Tou cheiíssimo de vontade de o ver nem que mais nao seja pela interpretação deste actor, que segundo dizem é magnifica.


Melhor Realizador: Irmãos Coen.

Ou eram eles, ou era o Paul Thomas Anderson. Eu sou fã do PTA, mais precisamente porque ele realizou um filme fantástico chamado "Magnolia". E quem o viu sabe porquê torcer por ele :)


Melhor Filme: No Country For Old Men.

Pois, bolas. Tenho pena pelo There Will Be Blood, porque ficou aquém daquilo que podia ter atingido, e merecia ter atingido, segundo afirmam.


Bem, agora tenho é que ver os filmes que me faltam :P

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Cuidado...


Vejam bem a quem pedem para lhes dar luz :p

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Rio das Flores




Terminei de ler este livro de Miguel Sousa Tavares ontem.

Não sou especialmente fã do MST, no entanto posso dizer que gostei bastante, por diversas razões. A primeira que me ocorre é que mal o terminei, fiquei com saudades das personagens e do mundo que as rodeia. Confundiu-me pensar que não ia ter mais nada, mais nenhuma maneira de partilhar o mundo delas, que ia perder o resto da história delas, que não ia ter mais nada para ler. Acho que isto é demonstrativo do poder de imersão do universo deste livro.


Para a imersão contribuem diversos factores, que já explicitarei, mas convém antes disso uma breve explicação sobre a história, que afinal está na base deste universo: basicamente o romance consiste na história de algumas gerações de latifundiários no Alentejo, suas experiências e opiniões. Situando-se entre cerca de 1910 e 1950, o foco vai inteiramente para a família Flores: desde o pai, Manuel Custódio, adorador de touradas e tudo o que tenha a ver com Sevilha, e sofredor de uma morte prematura durante a caça; à sua mulher, Maria da Glória, a mulher sábia dentro de uma casa de homens; a Diogo e Pedro, os filhos de Maria da Glória e Manuel Custódio, em quem a história realmente se centra: a sua disparidade de feitios e maneiras de ser; as opiniões toleradas mas não aceites, as aventuras partilhadas, os caminhos seguidos, a união e separação - as diferentes noções de liberdade, política, felicidade; tudo as torna personagens fascinantes num caminho percorrido por nós junto delas. Os fascínios dos personagens pelo Brasil, pela parte de Diogo, e pela própria terra do Alentejo, por parte de Pedro, também são interessantes de ler, e fazem-nos ter noção do importante que um local pode ser para o estilo de vida e própria personalidade de uma pessoa.


As vantagens da escrita de MST também podem ser consideradas desvantagens, tudo depende do tipo de leitura que mais interessa a cada um: uma escrita romanceada, misturada com factos históricos reais, recheada de pormenores deliciosos, centrada nos anos 20-50. Um dos focos principais de MST foi a política: é de facto o que mais preenche o livro, o que motiva muitas das acções, pensamentos, discussões dos personagens. E é descrita com imensos factos, datas, nomes. Pode-se tornar um pouco "maçador", para quem se quer focar mais nos personagens, que são de facto interessantes. Mas também é a partir destas mini-histórias paralelas que entendemos muito do que era a política da época, e do Fascismo e Comunismo em si.

Para mim, é um livro que vale a pena ler. É preciso ter paciência para aguentar tantos conceitos, tantos nomes, tantas histórias entrelaçadas. Mas somos recompensados com uma leitura que nos agarra completamente ao mundo que cria.

E, por isso, Miguel Sousa Tavares está de parabéns.